sexta-feira, 12 de abril de 2013

Você é o que penso

O caso Marco Feliciano deixou algo que já vinha ocorrendo há tempos ainda mais evidente. Nunca, desde a redemocratização no Brasil, vivenciamos um momento de tanta intolerância às diversas formas de viver ou pensar.

Não que eu defenda o pastor ou a sua estranha maneira de expressar seus pensamentos. Compactuo algumas ideias mas discordo de diversas outras dele. Sobretudo discordo de sua postura e forma de tratar os assuntos de maneira tão irresponsável.

Porém, algo maior me preocupa. De uma hora para outra passamos do "Eu sou o que penso" para "Você é o que penso".

Os anos de lutas fortaleceram as classes minoritárias mas o caos se instalou. Aquele que era perseguido agora é perseguidor... mas aquele perseguia, não deixou de perseguir.

Houve um momento em que os jovens pensavam: "Ser normal é chato", agora pensam: "Ser normal é errado".

Falar o que se pensa não é apenas mais falar. Falar o que se pensa agora é preconceito. É aí que surgem os ataques desnecessários e irracionais.

Bastou a cantora Joelma dizer que se tivesse um filho homossexual, “lutaria até a morte para fazer sua conversão” que a comunidade gay caiu matando em cima da pobre coitada.

Espere um pouco, agora ela tem que querer um filho gay? Estranho isso. É uma opinião dela, é um direito dela não querer um filho homossexual  Assim como é direito de qualquer um não querer que o filho se envolva com drogas, que o filho não nasça com síndrome de down, ou com qualquer outra coisa que seja.

Ela não vai deixar de amar o filho seja lá qual for a situação dele, mas tem todo o direito de não querer que isso aconteça.

Um caso ocorreu comigo (e aí me coloco nessa situação de intolerância). Um amigo disse para mim que não namoraria uma pessoa negra.

Na hora eu rebati e disse que aquilo era um absurdo. Falei que ele era preconceituoso. ERRO MEU.

O fato de ele não querer namorar uma pessoa negra em nada tem a ver com preconceito, mas sim a um gosto pessoal.

Tem gente que gosta de loiras, outros de morenas, outros de magrinhas, outros de mais cheinhas.

É disso que estou falando. A intolerância está tão presente que pressupomos coisas, colocamos os nossos sentimentos, nossas paixões, acima de qualquer racionalidade. Perdemos o bom senso e atacamos.

No final nos entregamos àquilo que mais combatemos no passado e sucumbimos ao preconceito.



terça-feira, 9 de abril de 2013

Receita pra ganhar dinheiro

Valdomiro desconsolado pelo roubo de seu Rolex
Se tem alguma coisa legal em não tomar remédio pra dormir é ter a oportunidade de ver as coisas mais bizarras que acontecem na madrugada.

E eu tenho uma mania, um defeito, um vício (acho que é isso) de zapear a TV em busca de programas ainda mais bizarros.

Os "melhores", sem dúvida, são os programas "seitangélicos". E meu "preferido" disparado é o Valdomiro Santiago... que figura... que personagem mais estranho e incompleto.

Aliás, incompleta é a mensagem que ele tenta passar. O pobre coitado não consegue fechar um pensamento sequer. Eu tenho uma teoria para esse fenômeno: Bebida.

Na boa gente, eu só não tenho como provar pois não disponho de um bafômetro, mas é quase certo que ele prega e grava seus programas sob efeito de álcool.

Ah, e eu conheço bem esse tipo, já frequentei muito buteco de vila e reconheço um pinguço facilmente rsrs.

Vamos aos fatos, ele tem a cara inchada, fala com a boca mole e quase sempre de lado. O olhar dele nunca fica focado em um único lugar, nem pra câmera, nem para a platéia. Isso é típico de quem bebe.

Bom, mas tirando essa questão, que não vem ao caso agora, essa madrugada novamente assisti um pedaço desse programete que está mais para um circo de horrores.

Entre as confusões típicas desse senhor, me chamou a atenção uma história que ele contou. Foi exatamente assim:

Um membro da igreja dele disse que antes frequentava a Assembléia de Deus, mas que o pastor de lá vivia falando mal do Valdomiro e por isso decidiu ir para a Mundial.

O "Apóstolo" Valdomiro começou a falar de um jeito bem infantil: "inveja, pura inveja, a igreja dele tem mais de 100 anos e a minha só tem 15 e olha só o que já conquistamos! Se com 15 anos estamos assim, imagina..." (os três pontinhos marcam aquilo que falei, o cara não sabe terminar um pensamento sequer).

Gente, na boa... falar mal de um irmão da bléia na frente de um batista irrita demais a gente...rssrrs..

Fiquei pensando, esse cara tem 15 anos de "ministério" e é um milionário.

Não sabe falar direito, é feio, metido a "apóstolo"... como pode arrastar multidões? Que aliás está arrastando para o lugar errado, infelizmente.

Daí bolei uma receita pra se ganhar dinheiro, baseado no modelo valdomiral:

1 - Quando não conseguir concluir uma fala, invente uma nova história que termine com um mega-milagre. As pessoas esquecem rapidamente do que você estava falando e não conseguiu terminar por incompetência;
2 - Ponha toda a responsabilidade pelo pecado das pessoas no diabo. Depois promova uma sessão de descarrego pra "salvar" a galera. Afinal ninguém gosta de saber que é responsável pelos seus atos errados, então jogue a culpa no chifrudo mesmo;
3 - Faça cara de pobre que venceu na vida, afinal, ser rico com cara de riquinho não vende a ideia de prosperidade;
4 - Apareça várias vezes durante o dia e a noite nos seus programas de TV, as pessoas vão ter a impressão de que você não dorme e está 24h trabalhando em prol da causa (mesmo que seus programas se repitam);
5 - Por fim, fale ao público como se você fosse apresentar o Cidade Alerta, é massa porque dá aquela impressão que você é um cara do bem lutando contra tudo o que é mal.

Bom espero que eu tenha sido claro em minhas lições... mas na boa? Prefiro continuar pobre e salvo mesmo.



terça-feira, 2 de abril de 2013

Olhar

Tenho medo de olhar pra trás. Mas olho.

Cada vez que olho pra trás, vejo um monstro horrível me seguindo. E não importa o quanto eu ande para a frente ou o quanto eu corra, ele continua me seguindo.

A impressão que tenho é que quanto mais olho para trás, mais rápido ele anda. Algumas vezes chego a acreditar que ele até consegue me alcançar.

Hoje lembrei de algo que aconteceu comigo quando ainda era criança e nunca me tinha dado conta do grande aprendizado que recebi nesse dia.

Acho que nem mesmo a pessoa que me ensinou isso, seja lá quem ela for, sabe desse aprendizado. Acho que sequer ela se lembra desse dia.

Eu estudava em uma escola estadual em Franca/SP. Uma escola localizada no Parque Vicente Leporace, um bairro classe C. A escola ainda era nova, tinha poucas salas e nem forro no teto ela possuía. 

O apelido da escola na época era granja, por causa do formato dela (nada a ver com as pobres meninas que estudavam ali, ok? rsrs).

Nessa época eu adorava correr. Fazia tudo correndo. Ia para a padaria correndo, voltava da escola correndo, corria dos cachorros e dos moleques que queriam me bater (felizmente eu corria bem e por isso nunca apanhei hehehe).

Certa vez a escola participou de uma ação promovida pelo Sesi. Era um dia de atividades  de atletismo. Uma das provas em que me inscrevi, e era aquela a que eu mais me dedicava, foi a de 100 metros rasos (na verdade nem me lembro se era 100 metros mesmo, acho que era bem menos, mas era uma prova de velocidade e explosão).

Eu tinha certeza que ganharia essa prova. Na largada saí a toda. O primeirão!!!

Mas eu cometi um erro que estragou toda a festa. Olhei para trás.

Me lembro como se fosse ontem de ouvir uma das organizadoras do evento gritar: "Não olhe pra trás, não olhe pra trás".

Esse olhar me fez perder todo o ritmo. Tirou meu foco que era a linha de chegada. Tive a infelicidade de ver duas pessoas me ultrapassando....

Medalha de bronze com sabor de nada. 

O grito dessa mulher, que não lembro o nome, hoje me trouxe um ensinamento além de uma simples prova. Foi uma lição para minha vida.

Aliás, casa muito bem com os ensinamentos bíblicos dado pelo apóstolo Paulo: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. 2 Coríntios 5:17"...

Ou ainda melhor nesse contexto:


Filipenses 3:
v.13 - "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,"
v.14 - "Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus."

Isso é foco, isso é objetivo.....

Porém, ainda tenho medo de olhar pra trás. Mas olho....