O caso Marco Feliciano deixou algo que já vinha ocorrendo há tempos ainda mais evidente. Nunca, desde a redemocratização no Brasil, vivenciamos um momento de tanta intolerância às diversas formas de viver ou pensar.Não que eu defenda o pastor ou a sua estranha maneira de expressar seus pensamentos. Compactuo algumas ideias mas discordo de diversas outras dele. Sobretudo discordo de sua postura e forma de tratar os assuntos de maneira tão irresponsável.
Porém, algo maior me preocupa. De uma hora para outra passamos do "Eu sou o que penso" para "Você é o que penso".
Os anos de lutas fortaleceram as classes minoritárias mas o caos se instalou. Aquele que era perseguido agora é perseguidor... mas aquele perseguia, não deixou de perseguir.
Houve um momento em que os jovens pensavam: "Ser normal é chato", agora pensam: "Ser normal é errado".
Falar o que se pensa não é apenas mais falar. Falar o que se pensa agora é preconceito. É aí que surgem os ataques desnecessários e irracionais.
Bastou a cantora Joelma dizer que se tivesse um filho homossexual, “lutaria até a morte para fazer sua conversão” que a comunidade gay caiu matando em cima da pobre coitada.
Espere um pouco, agora ela tem que querer um filho gay? Estranho isso. É uma opinião dela, é um direito dela não querer um filho homossexual Assim como é direito de qualquer um não querer que o filho se envolva com drogas, que o filho não nasça com síndrome de down, ou com qualquer outra coisa que seja.
Ela não vai deixar de amar o filho seja lá qual for a situação dele, mas tem todo o direito de não querer que isso aconteça.
Um caso ocorreu comigo (e aí me coloco nessa situação de intolerância). Um amigo disse para mim que não namoraria uma pessoa negra.
Na hora eu rebati e disse que aquilo era um absurdo. Falei que ele era preconceituoso. ERRO MEU.
O fato de ele não querer namorar uma pessoa negra em nada tem a ver com preconceito, mas sim a um gosto pessoal.
Tem gente que gosta de loiras, outros de morenas, outros de magrinhas, outros de mais cheinhas.
É disso que estou falando. A intolerância está tão presente que pressupomos coisas, colocamos os nossos sentimentos, nossas paixões, acima de qualquer racionalidade. Perdemos o bom senso e atacamos.
No final nos entregamos àquilo que mais combatemos no passado e sucumbimos ao preconceito.

